terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

ANJOS DO 5º SUL

Desde que estava no hospital quero escrever sobre um assunto em especial, sobre as pessoas que me cuidaram durante a internação.

Quero contar um pouco sobre os profissionais do TMO - 5º Andar Sul do HCPA, pessoas muito especiais e que acho que a melhor definição são ANJOS.

Me refiro o todo pessoal: médicos, enfermeiras, técnicas (os) em enfermagem, pessoal da copa, da limpeza. 

Não sei como são os profissionais de outros hospitais e unidades, mas posso falar com propriedade dessEs que conheci na internação, com certeza essas pessoas são escolhidas a dedo.

Então, contarei algumas coisas que aconteceram, falarei um pouco de como são para que possam ADMIRÁ-LOS tanto quanto eu.

Lembro de tantas coisas e vocês não imaginam como está difícil começar, as palavras me faltam. Não sei  se começo definindo as pessoas, se contando fatos, bom vou tentar... rsrrsrsrs

Desde o primeiro dia, fui reconhecendo alguns rostos, afinal quando fiz o Transplante Autólogo fiquei no mesmo local e algumas pessoas também me conheciam, as enfermeiras principalmente, já as (os) técnicas (os) a maioria conheci agora (pois são diferentes os que cuidam do autólogo e do alogênio), vi nos corredores e até mesmo no quarto os que me cuidaram da outra vez, que me reconheceram, mas dessa vez não cuidaram de mim, mas quero ressaltar que o cuidado deles é como os quais relatarei aqui e que nunca  os esquecerei.

Ao reconhecimento começava a conversa, a atenção, as enfermeiras sempre atentas a tudo que estava acontecendo, examinando, perguntando, explicando, verificando se teve qualquer alteração, eram 3 trocas de turno e sempre elas iam conversar comigo para dar um oi, dizer que aquele era o dia dela, ver como estava e que qualquer coisas era só chamar. No primeiro dia as orientações sobre como funciona tudo por ali. Algumas vezes conversávamos outros assuntos, riamos, brincávamos, chorei, desabafei, contei história, emocionei. Algumas são mais diretas, outras conversam mais, mas são todas sempre atenciosas. Soube da enfermeira que vai casar, vi fotos lindas dela, contei do meu blog, dei o endereço dele, conheci um blog de arte de uma das enfermeiras, incluindo coisas feitas por ela (que por sinal adorei e sigo), tem aquela(s) que ama(m) filmes, a que fala alto, a que fala manso, revi aquela pra quem fiz um xale na outra internação e que quando soube que eu estava lá foi ao quarto apenas para me dar um oi e saber como estava, afinal naquele dia ela não estava comigo, uma pessoa que admiro desde a outra vez, em uma noite ficamos conversando assuntos diversos, sobre a doença também, sobre a minha vida, sobre a minha mãe, foi uma conversa emocionante, outras conversaram comigo sobre a possibilidade de eu avisar e me liberar alguma visita para que eu não me sentisse sozinha, claro que dentro dos cuidados do andar. Todos os dias após o meu banho a troca de curativos, sempre cuidando pra não machucar a pele ao tirar a fita, cuidando um jeito de colocar em lugar onde machucasse menos, arrumando os extensores dos remédios e soro para ficar da melhor forma após o banho (procedimento muitas vezes feito pelas(os) técnicas(as)). No dia em que eu relatei que estava um pouco triste, que chorei (devem lembrar, fiz um post sobre) falei com uma das enfermeiras como estava me sentindo e ela foi super atenciosa, e naquele dia ao entrarem no quarto, todos procuraram saber como eu estava, entendendo e reforçando que embora eu estivesse sempre animada era mais que normal aquele sentimento, e brincando comigo dizendo que sempre comentavam na unidade que eu era a paciente mais animada, mais pra cima, enfim me ajudando nesse momento.

E a atenção das técnicas e dos técnicos não tem igual, cada um com seu jeito, umas mais elétricas, outras a calma em pessoa, mais brincalhonas, mais cuidadosa. Sempre prontas a qualquer chamado. Mostram que o que você precisar fazer, que às vezes para mim parece até abuso, elas estão ali pra ajudar. Eu não precisei, mas se precisasse de ajuda no banho estavam prontas para ajudar, todos os dias traziam minha muda de roupa, trocavam a minha cama dia sim dia não, se necessário, trocava todo dia, antes do banho proteger o curativo, trazer remédios, verificar sinais, nesses momentos conversávamos, brincávamos, contávamos coisas, recebi dicas de sites de baixar filmes, torcemos pro inter, tinha aquele que estava acostumado a cuidar das crianças, pois trabalha em outro andar, que ria, que brincava, que era atencioso, aquela que eu via e minha temperatura começava a subir (assim brincava com ela, pois os picos de temperatura davam sempre em seu turno) e ela cuidadosamente ia diversas vezes no quarto para cuidar a temperatura, aquelas que no dia em que fiquei com alterações na pressão e batimentos cardíacos ficaram ao meu lado o tempo tempo, não fiquei sozinha, intercalavam entre elas, pois também tinham outros pacientes, mas davam um jeito de se organizar e ter uma sempre comigo, pronta a me alcançar a cuba pra vomitar, pra me mostrar que apesar dos cuidados estava tudo sobre controle, me acalmando, colocando a cumadre pra eu fazer "xixi", me limpando pois não conseguiria, me dizendo que o que estava acontecendo comigo era normal, que não era só comigo que acontecia, conversando outras coisas pra me distrair, não só nesse momento como em outros contando dos filhos, netos, família, descobri que tem gente daqui de Gravataí. Enfim, cada detalhe, cada coisinha mínima que faz tanta diferença. Como esquecer do dia que decidi cortar meu cabelo e mais que prontamente, sendo sincera, dizendo que não sabia, mas que se eu queria cortava pra mim, e assim foi.

As meninas da copa e limpeza sempre entrando no quarto bem humoradas, dando bom dia, boa tarde, boa noite, alterando alguma coisinha na comida se possível, sempre perguntando educadamente se poderiam levar a comida ou se queria ficar mais um tempo pra tentar comer mais, trocavam a água , chá, copo várias vezes ao dia. Eu percebia no olhar que se importavam quando viam que eu comia pouco.

Tem a nutricionista que ia de segunda a sexta sempre perguntar como estava a alimentação, verificar se estava comendo melhor, que dava alternativas, que via o que alterar, o que poderia ser substituído, o que poderia ser incluído, o que manter, enfim sempre procurando o melhor.

A psicóloga uma vez por semana, sempre conversas agradáveis, leves, nunca me enchendo de perguntas, as conversas simplesmente fluíam naturalmente.

E pessoal da estômato que ia fazer o laser na minha boca para prevenir qualquer coisa, com alguns conversei mais, soube sobre os estudos de um sobre sua namorada que é minha xará, conheci um peruano que queria saber onde ir no carnaval e que me contou como é Machu Picchu no Peru (com suas descrições fiquei com vontade de sair do hospital direto pra lá... rsrsrsr), aquela que me perguntava o que eu sentia  e como estava com o laser na boca (rsrsrsr).

Claro, não posso esquecer dos médicos que iam diariamente me ver, saber como estava me sentindo, ver se aconteceu alguma alteração, me examinar e me dizer como estavam os exames, me explicar que as coisas estavam indo bem, rápidas, dentro do esperado, me dizendo que certo momento era o momento que tudo caia mesmo, que parecia que eu tinha sido atropelada. Perguntando sobre como estava meu irmão. Me dando uma ótima notícia de previsão de alta, cuidando pra que eu saísse com tudo certinho, todos remédios. Me dando confiança dia a dia no tratamento, sempre com muita atenção.


Acredito que não falei aqui da metade das coisas que fizeram por mim. Espero não ter esquecido de ninguém.

Trago na memória cada rosto, cada olhar, cada palavra, cada pequeno gesto e pra mim não tem como não comparar essas pessoas a ANJOS que marcaram minha VIDA.


Beijos

3 comentários:

  1. Camila, muito lindo este teu texto!!! Sabe acho que deveria escrever um livro,tens o dom de nos fazer viajar!!!! beijos!!

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    1. Obrigada Mari, são palavras que vem do coração, fico feliz com as reações das pessoas ao lerem o que escrevo.
      Não é a primeira pessoa que fala sobre eu escrever um livro, quem sabe um dia ele saia, é uma ideia...
      Bjs

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  2. Muito lindo da tua parte fazer essa homenagem a todas essas pessoas. Muito lindo esse reconhecimento! Beijos

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